sábado, 26 de julho de 2014

Uma vida em algum lugar

Primeiro ela vai crescer, vai se entender como gente. Depois vai conhecer gente e vai perceber que a vida pode ser muito maior que a casa onde mora, que hoje é sua maior referencia. Hoje, deve ter uns 2 para 3 anos, penso daqui a uns 10 anos, quando começar perceber que não é mais uma menina e que está se tornando uma adolescente (sim, por que com 12 anos você é uma adolescente), quando começar a pedir para ir a praia sozinha e mãe espantada disser um sonoro Não... O tempo vai passar, vão chegar os 14 anos e a ansiedade dos 15 anos vai bater a sua porta, vai começar a achar que com 15 tudo será diferente, que 15 a idade magica. Terá uma linda festa como uma princesa rebelde que é, não usará vestido branco, e sim um vermelho, para escandalizar. Passado seu grande dia, tudo volta como dantes e a única coisa que mudou foi a sua idade.
Conhecer um menino não é uma dificuldade, difícil será fazer seus pais aceitarem que ela cresceu e que agora é uma "mulher". Perto dos 18 terá que decidir se vai ou fica. O pai pagará para ela estudar fora, em Paris, moda que é o que ela sempre quis. Mas é uma apaixonada, quer se casar com o primeiro namorado que faz 3 anos juntos, ao tomar sua decisão, escolhe viajar. O namorado de primeira não aceita e se diz irredutível na decisão, mas o amor, o primeiro amor fala muito mais alto, pede que fique ela diz que não pode, que não consegui e ele com um punhal no peito diz que esperará por ela, o tempo que for e que quando ela voltar, com certeza ele estará no aeroporto pronto para lhe dar um beijo.
A viagem acontece, 4 anos se passam e ela aprende um pouco de tudo, fala francês fluentemente e o inglês que sempre detestou teve que usar bastante, construiu um nome, um nome de respeito em Paris, conheceu muita gente, por vezes namorou, mas nada sério, se sentia livre, sempre foi assim, desde de sua decisão de usar vermelho nos 15 anos.
Decidiu voltar, agora outra mulher, na verdade uma grande mulher, avisou a todos e pediu: QUERO FESTA! Assim foi feito e o seu primeiro namorado realmente estava no aeroporto a sua espera, a saudade era tanta, mas a intimidade tão pouca, o gosto do beijo que outrora era perfeito, hoje é só mais um.
Em casa, na sua festa, com o mundinho da infância em Niterói, tudo é tão diferente, tão menor. A única coisa que parecia maior era o amor que sentia, não sabia se era saudade, ou só amor mesmo, mas era muito, muito grande.
Brasil não é Paris, era pouco reconhecida no mundo da moda, seu primeiro passo aqui era aparecer, era se mostrar e assim o fez, com muita luta conseguiu se tornar GRANDE. Seu primeiro desfile foi um sucesso, veio o segundo, o terceiro e seu nome se consolidou.
Seu primeiro namorado a venerava e ela gostava disso, gostava do que ele despertava nela, gostava da maneira que ele tentava conquista-la novamente, se fazia de difícil, se mostrava superior, mas o amava, havia esquecido o que era amor e ele a mostrara novamente.
Finalmente resolveu casar com ele sim, claro. Com 30 teve seu primeiro filho, o primeiro de 3. Todos meninos para seu desespero, a quarta veio de carro como gostava de falar, adotou uma menina, linda e bajulada pelos 3 irmãos mais velhos. Envelheceu com o nome respeitado e uma marca muito famosa ao lado de seu primeiro amor. Seus filhos tomaram seus caminhos, cresceram assim como ela. E aquele mundinho de Niterói se tornou o mais amado e o maior do mundo aos seus olhos.
Uma senhora a caminhar na praia ao lado de seu respectivo senhor... Então, é ela! 

=*

Photo: Michelle Werlich
Conto: Kássia Hellen





quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cazuza.. *-*

Como começou a minha história com o Cazuza... Eu não lembro exatamente. Sou nova demais e não vi e nem vivi nos tempos de glória desse ídolo, mas alguém pode dizer "aaaaah, mas sua família sempre escutou Cazuza e você aprendeu a admira-lo!". Engana-se... Na verdade, na minha infância nem rádio com cd play tinha direito. Lembro-me de uma vitrola enorme (aos meus olhos) da Gradiente, que em baixo era onde se colocava as estações de rádio e tinha uma entrada para cd (que eu nunca, digo NUNCA MESMO, vi funcionar) e em cima um toca discos (que eu só ouvia o disco da Xuxa, porque era o único que tinha lá em casa na época). Pois bem... Lembro-me que um dia, depois do falecimento do meu pai, eu tinha uns 5 para 6 anos, por aí, ouvi no rádio a música "Faz Parte do Meu Show" e simplesmente contei todinha, me lembro desse episodio especifico pela reação da minha mãe que ao me ver contando, me perguntou como eu sabia cantar aquela música, já que ela não se lembrava de ter me apresentado ao Cazuza antes, eu simplesmente não sabia, só sabia que cantava e ponto. Minha mãe falou que aquela era música do Cazuza que meu pai mais gostava, mas nunca teve o costume de ouvir (hoje se tornou minha música favorita).
Quando meu tio (padrasto) chegou à minha vida, eu tinha aproximadamente 7 anos e já era apaixonada pelo Caju, sem se quer ter nenhum cd dele. Meu tio para agradar, me deu de presente o PRIMEIRO cd da minha vida e claro não poderia ser de outro cantor, tinha que ser dele: Cazuza. Passando-se a obsessão do primeiro cd, que nessa época eu já tinha o meu próprio radiozinho e ouvia desesperadamente aquela relíquia, veio o FILME: Cazuza, O tempo não para! Lembro como se fosse hoje. Ninguém queria me levar para ver o filme, claro, nunca iriam deixar que uma pirralha de 9 anos assistisse aquele filme no cinema... Esperei, esperei... Até que saiu em DVD, nossa, que alegria... Perturbei tanto até que finalmente, meu tio alugou para mim. Numa noite, assisti ao filme com o resto da família, nas partes mais quentes, minha mãe me mandava fechar os olhos, claro, eu só fingia. A partir dai, comecei a AMAR CADA VEZ MAIS AQUELE HOMEM, até sonhar com ele, eu sonhei. Pedi para que comprassem aquele DVD para mim, mas não consegui, então baixei na internet (o que levou mais de 3 meses) e hoje sei as falar de có e salteado.  E lembra aquele primeiro cd, hoje são 10 e um da Cássia Eller (linda da minha vida) cantando Cazuza.
Nos meus 15 anos, o presente mais esperado era o livro Preciso Dizer Que Te Amo com todas as letras dele e depois vieram os outros (sim, eu tenho todos). Também nos meus 15 anos, a música na homenagem surpresa que fizeram para mim foi FAZ PARTE DO MEU SHOW (tinha que ser).
Depois passei um tempo sem ouvir Cazuza, para tentar esquecer mesmo, pois nunca gostei de fanatismo, mas não deu, voltou com muita força. Sabe qual foi minha maior emoção? O Espetáculo Pro Dia Nascer Feliz (brilhantemente protagonizado pelo Emílio Dantas). Foi maravilhoso, tanto que eu assisti duas vezes e chorando feito uma louca. Sobre o holograma? Minha maior tristeza foi não poder assistir por obra do tempo (sim, do tempo... pois tinha tudo para dar certo, mas o tempo me enganou e correu com o relógio), mas hoje, entendo que eu NUNCA poderia assistir a aquele show. Com certeza, eu morreria de emoção, meu coração não aguentaria.
Tenho amigas que o Cazuza me trouxe de presente, amigas que me levaram no Cemitério São João Batista, que me proporcionou a melhor das felicidades. Deram-me a oportunidade de conhecer a Passarinha (Lucinha Araújo) na Sociedade Viva Cazuza, uma emoção maior do mundo, a sensação mais incrível que conheci.
No entanto, eu não entendo o amor louco que sinto por ele. Veio meio sem explicação e hoje toma conta do meu Ser. É uma emoção diferente, anormal, que eu não sinto por ninguém. Um amor de fantasia, um verdadeiro amor platônico. Uma vez, em um dos meus devaneios momentâneos (que sempre acontece, mas eu gosto de pensar que é momentâneo), pensei... Será que em outra encarnação ou em outras encanações nós fomos tão, mais tão ligados que, de alguma forma, um acabava fazendo mal um ao outro e que nessa encanação que ele veio primeiro que eu, morreu antes deu nascer para exatamente não nos encontrarmos, mas mesmo assim, nosso amor superou a barreira da morte, pois ele não foi feliz com ninguém, não amou de verdade, fez loucuras com a vida em busca de uma liberdade, de um amor que nunca encontrou, viveu TUDO em tão pouco tempo e voltou para mim em outra dimensão. Veio, experimentou a vida, mas correu de volta para me encontrar e eu, 5 anos depois de sua morte terrena e renascimento para o verdadeiro lar, nasci, cresci e chegou a minha hora de experimentar a vida sem ele.
Mas se eu lhe faltei em vida, eu tenho o privilegio de tê-lo comigo hoje em forma de poesia, em forma de música, em forma de estrela, de amor... Sim, eu viajo... Mas o meu coração me diz, tem alguma coisa verdadeira nessa história, não me sinto uma simples fã, eu NÃO sou uma simples fã... Tenho outros ídolos, sei diferenciar sentimentos, por ele, eu largaria o mundo... Não sei explicar, eu SÓ SEI AMAR!

Com amor... Kássia! =*