sábado, 25 de outubro de 2014

Criança

Na inocência do olhar de uma criança, enxerguei a esperança de um futuro melhor para todos, vi o mundo perfeito naquelas bolinhas de gude negras. Sua imaginação transparentemente visível me encanta, me leva a outro patamar de realidade. Queria estar dentro dela, vê como funciona a sua visão e qual é o fruto da sua alegria. 
Sabedoria, seu nome na terra é criança. Quem nunca ouviu a verdade de sua boca e por um momento sentiu uma ponta de vergonha por não saber responder? Quem nunca riu descontroladamente da gargalhada sem motivo dela? Quem nunca ficou irritado com uma criança e só por um abraço a raiva passou?
Sonhar com criança sempre faz bem, não é verdade? Pelo menos é como dizem os antigos. 
Crianças são anjinhos que Deus colocou na terra para nos dar uma porção de inocência e simplicidade, elas vieram não só para tornarem grandes adultos e sim, para fazer de nós, adultos, pessoas melhores. Nada é tão puro quanto o amor de pais para com seus filhos, nada chega tão perto de Deus quanto esse amor imaculado e incondicional. 
Adulto com alma de criança é raro e especial. É magico. Tudo que deriva de uma criança tende a ser puro. Santa inocência que veio nos brindar em forma de guri, santo amor que veio de um ventre para vida. 
Suas bolinhas de gude brilham como estrelas por qualquer motivo besta. Dão total valor as coisas mais simples. Um dia me contaram um caso sobre uma criança, vou contar aqui para que todos entendam minhas palavras. Uma mãe sem ter condições de presentear sua filha, pegou varias roupinhas e colocou uma em cada saquinho de presente e espalhou pela casa, a menina ao acordar e procurar pelo seu presente, encontrou-os escondidos e isso a fez tão feliz, mesmo as roupas já usadas, a beleza dos saquinhos era tanta que acabou por brincar com eles a tarde toda. Entende a pureza de sua felicidade? E o quanto de felicidade passou para aquela mãe aflita? Criança é assim.
Crianças deveriam acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Pascoa, como eu acreditei. Acreditar em fadas, gnomos, duendes e ter uma varinha de condão. Ter uma fada madrinha e amigos imaginários, por que não? Falar sozinha, conversar com amiguinhos que só ela vê, faz bem, tá?! 
Seja você criança ou não, seja feliz. Ria das coisas bobas, fale bobagens, seja sincero, olhe com afeição para um estranho (isso pode mudar o dia do seu próximo), não tenha medo de mudar de ideia, mostre a todos suas fraquezas, ria e chore com toda intensidade do mundo, você não vai deixar de ser adulto se você brincar com uma criança, não vai deixar de ser adulto por sentar para conversar com ela. 

SEJA UMA ETERNA CRIANÇA, isso te fará bem. 

Conto: Kássia Hellen
Photo: Michelle Werlich

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sábado, 18 de outubro de 2014

Na cadencia do samba

Nada melhor que um samba para animar a alma. O samba tira o sossego de qualquer um que se permita amar com os pés. Entenda o seguinte, ficar em casa sentado no sofá, vendo tv jamais te dará emoção que o samba pode proporcionar. É sambando que você se liberta, abraça a sua nacionalidade, vive um conto de fadas consigo mesmo em 3 minutos ou mais. O samba faz suar o corpo como forma da alma falar, falar não, gritar, é um grito de liberdade.
Vou te falar uma coisa, tem dias que ouvir uma música calminha não mata ninguém, pelo contrário, é o que fazemos de costume, nosso fone de ouvido dificilmente cantará um samba bem animado e se tocar, com certeza, não poderá dançar, por que imagina, dentro de um ônibus, começa aquele sambinha, você vai sambar? Ali? Claro que não. Pois bem, agora imagine a seguinte situação, arcos da Lapa, aquele samba de roda que rola ali, com mulatas e malandros sambando incessantemente, um retrato perfeito do passado, é o ou não é de se admirar e querer sambar, fazer parte da obra de arte. 
E quando o coração escolhe sambar sozinho, sem música para acompanhar? 
Uma situação inusitada e breve, um coração a batucar, batuca em ritmo descompassado, que não dá para entender direito, mas só sambando para provar a si mesmo que esse samba faz todo sentido.
O chorinho triste também é samba, aquele trás a melancolia em seus versos, cantando a dor de corno para você dançar coladinho.
O bom mesmo são os sambas enredo, que se repetem várias vezes com a mesma animação, causando euforia e êxtase, mas que só acontece uma vez por ano com a magia da avenida. Em cada ensaio uma nova emoção, uma nova energia. Sambar ao som da bateria é se elevar a outro patamar, em cada batida uma jogada de quadril, em cada parada os cabelos vão ao vento como pássaros.
Sambando a alma voa livre sem ter onde parar, sem poder parar, sem querer parar, pois a inquietude não permite tal feito.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Saudade

Uma saudade inexplicável 
Uma dor incomparável 
Aflição que nunca senti na vida 
Como pode existir um amor tão forte assim?
Um amor platônico
Ou um amor de outra vida
Um ídolo para muitos
Um amor perdido para mim

Em que mundo fui feliz?
Em que existência estive ao seu lado?
Em que tempo seu corpo esteve perto do meu?
Em que lugar nossas mãos se cruzaram?
Quando você caminhou ao meu lado?
Perguntas que não calam em minha alma 
Perguntas que me atormentam por toda vida

Sinto que já fui completamente feliz
Com satisfação de ser amada por completo
Algum tempo atrás
Eu senti o seu gosto, tenho certeza 
Tempo o qual não lembro mais
Tempo que minha mente não recorda
Mas que hoje se reflete em minha alma
Como um filme antigo de amor
Quase que em preto e branco
Um cinema mudo

Hoje, minhas lágrimas nos liga
A dor mais dolorosa
A dor da saudade que tatuou meu peito para sempre
Como um punhal no color de um vampiro
Uma tatuagem fincada até a morte do corpo físico
Não quero antecipa-la
A vida é linda
A viverei apesar de não te ter por perto
Com esperança de um futuro pleno
Para sempre estará em meu coração
Como um passarinho preso ao ninho
Você estará no meu peito
Bem no cantinho

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sábado, 11 de outubro de 2014

Luz

Uma alegria contagiante 
Uma alma iluminada
Um Ser que reluz onde passa
Amor em forma de mulher
Uma ariana danada

Seu sorriso a faz brilhar
Costuma dizer que é largada no mundo
Mas, sabe, tem um lar
Habita em vários corações
Mas poucos tem a chave do seu

Grata por todo amor que a foi dedicado
Que em luz se transformou
E de algum mal à afastou
Um anjo da guarda perto dela estava
Protegendo e amparando a cada momento que passava 

Rabisca o corpo como se fosse papel
Forma de registrar na alma o que ama
Cede a sua pele como presente
Forma de cortesia para se entregar por completo
Ou para mostrar ao mundo sua real face

De seu ventre nasceram três corações 
Presentes dado por um amor do passado
Que a ensinou o que é amor próprio
E como amar incondicionalmente três seres diferentes entre si
Três mundos no qual ela é a rainha

Hoje ama a distância
Um amor escrito nas estrelas
Um amor de outras vidas
Um amor de verdade feito para durar uma eternidade
Coberto de esperanças de um futuro melhor

Com uma voz alá Cassia Eller
Um coração dedicado ao Cazuza
Respira música boa
MPB é a sua vida em partituras
E tem como melhor amigo seu fone de ouvido

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sábado, 4 de outubro de 2014

Transparente visível

Nasci e cresci no morro do Cantagalo e de lá nunca sai e provavelmente não sairei. Minha vista é muito mais bonita do que de gente que mora no asfalto, pois é do alto e isso justifica minha estada lá até hoje. 
Moro perto da praia mais bonita do Rio de Janeiro, Ipanema, e não pago o preço de morar na zona sul.
Desço o morro todo dia de manhã, vou para o trabalho a beira mar, gosto de viver do sol e para o sol, vejo gente bonita, sim, todos se tornem belos a luz dourada do sol do Arpoador. Vendo minhas águas de cocô, meus sanduíches naturais, alugo cadeiras e chapéus, no fim do dia caio no mar como se fosse a primeira vez e todo o meu cansaço vai embora, lavo o corpo e a limpeza reflete na minha alma. 
A noite cai, mas o movimento não, a praia de noite é uma grande festa. Um grupo coloca música, canta e dança, riem e conversam muito, fumam o cigarro proibido e bebem como se não houvesse um amanhã de ressaca, simplesmente se divertem. 
Quando o meu turno acaba, meus óculos já no topo da cabeça. Volto andando para casa, meu pequeno casebre, em alguma viela do meu tão amado Cantagalo. Tomo meu banho, coloco minha bermuda e vou para laje. O céu azul anil com pontinhos brilhantes denominados estrelas, uma grande lua com um branco esplendoroso que chega arder os olhos ao ser encarada de frente. 
Ligo a luz, sento-me na cadeira de praia, leio meu livro, escuto minhas músicas e tiro cochilos, logo percebo que tenho que dormir.
Às 5 horas já estou de pé novamente, desço meu morro com o dia ainda escuro, a lua ainda está presa ao céu, anunciando que é noite ainda. Conhecidos passam por mim, trocando as pernas ao voltar para casa, afinal é sábado de manhã, o que se espera de uma sexta a noite, a não ser voltar para casa na manhã seguinte?! 
O fato é, estou descendo a ladeira para ser o transparente mais visível do Rio de Janeiro, eu vivo ali servindo as pessoas, mas sou só mais um a servi-las, mas gosto de ser invisível, gosto de me camuflar por trás dos meus óculos e ser mais um em meio a multidão que tem o prazer de aplaudir, todos os dias, a cada pôr do sol e sabe o mais legal de tudo? Minhas palmas fazem o mesmo barulho que de qualquer pessoa "visível" das pedras do Arpoador.

Conto: Kássia Hellen
Photo: Michelle Werlich


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