domingo, 5 de agosto de 2018

Sinal azul no Daime

Fui a segunda vez no Santo Daime (04/08/2018). Chegamos mais tarde do que da primeira vez, mas ainda não havia começado. Recebi uma etiquetinha azul como sinalização de segunda visita ao templo.
Dessa vez uma outra prima foi também, Sheris e achou incrível sua primeira experiência. Minha expectativa estava alta e baixa ao mesmo tempo, não sei explicar. Achava que iria sentir coml da primeira vez, o completo êxtase, sem domínio do corpo e que é uma sensação muito estranha. Dessa vez não, permaneci sentada como uma boa menina.
Vamos lá... Como chegamos tarde, não deu para marcar cadeira boa, e estava extremamente cheio, sentei numa cadeira de ferro, acolchoada, ao lado da caixa de som praticamente -nota: péssimo lugar para se sentar, tanto pela cadeira, quanto pela caixa de som, lembrar sempre de chegar cedo e marcar lugar na pilastra. Eles sempre dão o hinario no início das sessões, nele contém todos os hisnos. Assim que peguei, abri e a cantiga de número 13 me chamou atenção, achei muito bonita. Começado os trabalhos, logo após a primeira dose do chá, o pai noa informou que seria cantado dos hinos 1 ao 13, pois bem. Chegando ao número 13, entrei na força e em completo transe (parecia que tinha dormido), senti um abraço muito gostoso por trás e alguém no meu ouvido dizendo "estou aqui", só lamento por não saber quem era, mas era alguém tem reconfortante, que me transmitiu tanto amor e tanta paz. Ao meu lado tinha uma pessoa agachada, também não consegui identificar quem era. Ao fim daquela música linda, voltei.
Era hora de tomar a segunda dose do Daime. Tomamos e a concentração começou, as luzes se apagaram a música de fundo começou a tocar e o torpor começou a tomar conta de mim, pedi para deitar mas não foi permitido, pois eu ainda aguentava ficar sentada. Fiquei.
De olhos fechados vi um céu extremamente estrelado, nunca tinha visto dessa maneira, ficava pensando "parece tela de computador, isso não existe aqui". Depois vi uma mulher dançando com uma criança e achava a coisa mais linda também. Depois apareceu um preto (ou uma preta velha) na minha frente e começou a mexer nos meus órgãos, ao meus tempo, no dentro do corpo eu ia sentindo dos deles sendo realmente mexidos, não sei quais eram. Até que o pretx velhx tirou meu intestino e falou "lembra do seu problema com absorção de gordura, ainda está aí", ele colocou meu intestino ao seu lado, acho que muma bacia e nesse mesmo momento senti cheiro de fezes. Voltei e escutei muita gente fazendo limpeza no salão, me desconcentrei inúmeras vezes com os barulhos, com as contigas, com a cadeira extremamente desconfortável e que tava me dando dor na bunca e nas costas. O Daime deixa todos os sentidos mais aguçados, minha audição fica extremamente apurada nesse momento, então o sapato das fardadas, o tic tac do relógio, o barulho da saia delas andando, o movimento feito na minha frente, qualquer coisa fica muito alta e tira completamente atenção do que eu tô vivenciando ali. Comecei a ter uma conversa com uma voz igual a minha, que foi interrompido diversas vezes, mas foi basicamente me questionando sobre a insatisfação que tenho com a minha vida atual, o que eu sinto falta, o que eu faria diferente, com o que eu me importo, pq não faço nada para melhorar. Eu até falei que tava fazendo terapia e que a Cláudia estava me ajudando muito, mas a voz continuou me questionando e cobrando posicionamento que eu não tinha para dar. Voltei.
Uma pessoa me levou a um hospital, muito bonito, tranquilo, silencioso, branco/cinza/prata, com muitos leitos e com todos os pacientes dormindo. Perguntei do senhor Sérgio (tio avô do meu namorado que faleceu há menos de 1 semana), e a pessoa me levou próximo ao leito dele e disse que ele ainda não havia acordado, mas estava bem. Perguntei "e o Rodrigo Passos?" (Meu primo/irmão/amigo PM que faleceu há menos de 1 mês), a pessoa dizia que eu não poderia o ver por falta de preparo, mesmo insistindo, não pude. Mas ele estava bem. Perguntei do meu tio/padrasto, a pessoa disse a mesma coisa.
Voltei. Desconfortável, dores nas costas, na bunda, fome. MUITA FOME. Luzes acesas. Hinos. Hinos novos. Avisos. Orações. Fim. Conversas e comida.. dois pedaços gigantes de empadão e viemos embora.


Ps: em casa, comi uma cambuca de sopa. Dormi satisfeita até o 12:30h.

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