segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Quase 20 ou quase 30

Uma escolha a ser feita, um único caminho a seguir, uma estrada sem volta, aquela que não se pode olhar para trás, que se a encarar nos olhos novamente, você se petrifica.
Ao optar pela solidão, escolhi dançar com ela, fazer dela a minha companhia perfeita. 
Não sou de ficar no meio termo e nem sou morno nas situações, o copo pela metade nunca foi minha opção de vida, ou 8 ou 80 sempre fui assim, "Para Sempre" ou "Nunca Mais" sempre foram minhas frases preferidas.
Sentar no sofá e ver tv o domingo inteiro não faz parte do meu show e aquela sexta feira perdida? Ela nunca mais voltará para mim de novo. Hoje, 20 anos e amanhã quase 30 e o que vivi? Que emoções senti? Sabe aquele frio na barriga quando de se está apaixonado? Há tempos não vejo nem a cor, aquela sensação de eternidade agora me dá medo, medo de um futuro previsto, pois vejo um velho cuidando dos filhos e cachorros. Esse futuro eu nunca quis, meus planos nunca foram esses, mas se um dia acordar aos 60 anos olhar na janela de um apartamento, descer e caminhar na praia sozinha com aquele solzinho da manhã, voltar para o meu lar, me arrumar e ir trabalhar. Passar a tarde escrevendo ou fotografando, fotografando a vida alheia ou algum monumento historicamente lindo. Voltar para o meu cantinho e conversar com as paredes, contar como foi o meu dia, mostrar as fotos para o meu computador, corteja-las como assim deve ser. 
Ler um livro, ouvir minhas músicas, escrever minha matéria diária, quem sabe até um filho me ligue ou eu ligue para ele, quem sabe meus netos jantem comigo ou não. 
A madrugada chega e sozinho fico novamente, sonhando acordado com meu dia seguinte, não com o dia que passou.
Parece monótono? Não é... Trabalhar com a mente e os dedos, com o olhar e a visão. O que é mais intrigante?
Talvez com 20 anos eu não saiba o que eu esteja falando, mas quem sabe eu encontro o minha verdadeira companheira, aquela que terei o prazer em ter como companhia, aquela que me acompanhará em um barzinho com mpb ao vivo, aquela que curtirá cantar Cazuza no karaokê comigo, que vá a um show do Paulinho Moska e cante todas as músicas desafinadamente no meu ouvido, que me leve ao arpoador de noite com um pensamento malicioso, que tome vinho ao som de Maria Gadú. Essa pessoa pode não existir ou pode ser feita para mim.
Quero que me queime, que grite quando qualquer coisa a incomodar, que ao sentir tesão me agarre sem pedir permissão, que tenha opinião e profissão, não precisa ser igual a mim, pois dois bicudos não se beijam, mas que me complete, que se faça presente, que me deixe marcas, que me faça sentir saudades, que não me faça sair sem querer ela por perto, que não me faça querer me perder dela por aí, que não permita que eu saia sem ela.
Mesmo que ela não exista, tudo bem, às vezes não nasci para amar, mas para sonhar, com certeza, e escolher correr riscos também é uma forma de liberdade, a liberdade de ir e vir.
Não quero ter medo de ser sozinho se um dia isso acontecer, quero puxar a solidão para dançar.

=*

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