terça-feira, 12 de agosto de 2014

Carta de alforria..

Estar em um estado de graça o tempo todo não é para todos. 
Tem momentos que não se sabe o que fazer que ficamos meio perdidos, sem saber a real função na vida, na terra, mas também acha cedo para eu decidir, para escolher onde e com quem quer estar.
Engraçado é que a algum tempo atrás, achava que minha carta de alforria era um Namorado e hoje percebo que só mudei de dono, só mudei a pessoa a dar satisfação, não que meu namorado não seja um amor, um anjo que Deus mandou para minha vida, mas não dá para parar de pensar nisso.
Uma menina que sempre sonhou com a liberdade, que sempre almejou não ter hora para voltar para casa, que sempre quis VIVER. Hoje, depois dos 18 anos de idade, precisa, ainda assim, pedir permissão para fazer qualquer coisa, precisa avisar que vai à esquina.
Sinto-me cuspindo para o alto e com um cuspe certeiro na testa, mas não consigo parar de pensar em como seria se nada fosse do jeito que é. Não digo que seria perfeito, claro que não. Diferente, começando pelo meu corpo (assunto tabu até para mim mesma), eu sei que é só ter força de vontade, fazer uma caminha todo dia de manhã, comer bem (coisa que eu já faço), me movimentar, meu corpo não quer nada mais que isso, mas sabe aquela história do anjinho e do diabinho (ELES EXISTEM), enquanto o anjinho diz tudo isto, o diabinho fala, você não vai conseguir, acostume-se a ser assim, viva de acordo com suas limitações e está bom, ame quem te amar desse jeito e está mais do que bom. Infelizmente, o diabinho sempre vence. Depois vem a minha mãe: Sua superproteção me sufoca, desde pequena, tive medo dela, não medo de apanhar, minha mãe nunca me bateu, mas até hoje suas palavras e olhares de repressão me machucam. Chegamos a um ponto de uma briga em que ela me disse que se não fosse do jeito dela, era bom eu catar um lugar, ainda vivo sob seu comando e ponto. Tenho certeza que ela nunca faria isso, temos somente uma à outra, mas as suas palavras são tão fortes que não me deixam bater de frente com o seus pensamentos que é completamente diferente dos meus. Eu a amo mais que tudo no mundo e o meu respeito por ela não me deixa passar por cima de suas opiniões para viver as minhas. 
Fazer 18, 19 anos não mudou em nada na minha vida, como eu disse, só mudei de dono. Amar e estar namorando não se tornou uma escolha e sim uma condição. Minha mãe e o diabinho sempre dizem: “Hoje em dia homem é artigo raro” (realmente é) e isso me dá um medo de ser uma velha gorda solteirona, mal amada que fez com que eu me agarrasse nele, eu gosto muito dele, muito mesmo, mas me falta algo para completar essa relação que só vivendo no mundo com total liberdade que vou estar inteira. 
Falta-me história, falta-me vivencia, falta-me noites viradas (que ele tem muitas e se cansou), falta-me maturidade, falta-me liberdade de errar.
Não sei como errar, não sei se posso errar e me amedronta o fato do meu erro pode interferir diretamente na vida de alguém, sendo da minha mãe ou dele ou mesmo na minha. Eu quero conhecer o mundo, namorar muito antes de me casar, morar em albergue em uma cidade estranha durante um tempo, ver e viver coisas completamente diferentes para mim, ter liberdade - LIBERDADE - realmente eu não sei o que é isso, não sei o que essa palavra significa. Não penso em terminar o meu namoro ou matar a minha mãe, o problema não está neles, está no momento da vida imposta a mim. Eu sempre quis ter um namorado, es que o sujeito surgiu e eu percebi que minha falta de vivencia não sabe lidar com o relacionamento sério.
Somos completamente diferentes, músicas, comportamento, criação, visão de vida, religião... Com tudo, nos completamos, sim. A vida deu-me um criação, um lord, um gato, sim eu o amo, mas o que falta em mim, ele já viveu muito, lugares que frequentou, pessoas que conheceu, relacionamentos que já teve e EU?? Menina criada por uma mulher rígida, que mentia para dar uns beijinhos no amiguinho do colégio. 

EU QUERO MAIS! Quero ter uma história, quero ver o dia amanhecer na praia com colegas, quero correr riscos. Eu nunca fui assaltada, não que isso seja uma coisa ruim, mas moro no Rio de Janeiro, mais especificamente na Zona Norte. Minha mãe costuma dizer que o jovem acha que nunca nada vai acontecer com ele, mas que TUDO pode acontecer, pois o mundo está MUITO PERIGOSO, e está, e eu nunca fui assaltada, olha o nível de proteção. Até ir ao cinema com amigos é um parto dentro da minha casa! QUERO PODER CHUTAR TUDO PARA O ALTO E VIVER, mas... Viver o que?

=*


Um comentário: