Uma escolha a ser
feita, um único caminho a seguir, uma estrada sem volta, aquela que não se pode
olhar para trás, que se a encarar nos olhos novamente, você se petrifica.
Ao optar pela
solidão, escolhi dançar com ela, fazer dela a minha companhia perfeita.
Não sou de ficar
no meio termo e nem sou morno nas situações, o copo pela metade nunca
foi minha opção de vida, ou 8 ou 80 sempre fui assim, "Para Sempre"
ou "Nunca Mais" sempre foram minhas frases preferidas.
Sentar no sofá e
ver tv o domingo inteiro não faz parte do meu show e aquela sexta feira
perdida? Ela nunca mais voltará para mim de novo. Hoje, 20 anos e
amanhã quase 30 e o que vivi? Que emoções senti? Sabe aquele
frio na barriga quando de se está apaixonado? Há tempos não vejo nem a
cor, aquela sensação de eternidade agora me dá medo, medo de um futuro
previsto, pois vejo um velho cuidando dos filhos e cachorros. Esse futuro
eu nunca quis, meus planos nunca foram esses, mas se um dia acordar aos 60 anos
olhar na janela de um apartamento, descer e caminhar na praia sozinha com
aquele solzinho da manhã, voltar para o meu lar, me arrumar e ir
trabalhar. Passar a tarde escrevendo ou fotografando, fotografando a vida
alheia ou algum monumento historicamente lindo. Voltar para o meu cantinho
e conversar com as paredes, contar como foi o meu dia, mostrar as fotos para o
meu computador, corteja-las como assim deve ser.
Ler um livro,
ouvir minhas músicas, escrever minha matéria diária, quem sabe até um
filho me ligue ou eu ligue para ele, quem sabe meus netos jantem comigo ou
não.
A madrugada chega
e sozinho fico novamente, sonhando acordado com meu dia seguinte, não com o dia
que passou.
Parece
monótono? Não é... Trabalhar com a mente e os dedos, com o olhar e a
visão. O que é mais intrigante?
Talvez com 20 anos
eu não saiba o que eu esteja falando, mas quem sabe eu encontro o minha
verdadeira companheira, aquela que terei o prazer em ter como companhia, aquela
que me acompanhará em um barzinho com mpb ao vivo, aquela que curtirá cantar
Cazuza no karaokê comigo, que vá a um show do Paulinho Moska e cante todas as
músicas desafinadamente no meu ouvido, que me leve ao arpoador de noite com um
pensamento malicioso, que tome vinho ao som de Maria Gadú. Essa pessoa
pode não existir ou pode ser feita para mim.
Quero que me queime, que
grite quando qualquer coisa a incomodar, que ao sentir tesão me agarre sem
pedir permissão, que tenha opinião e profissão, não precisa ser igual a mim,
pois dois bicudos não se beijam, mas que me complete, que se faça presente, que
me deixe marcas, que me faça sentir saudades, que não me faça sair sem querer
ela por perto, que não me faça querer me perder dela por aí, que não permita
que eu saia sem ela.
Mesmo que ela não
exista, tudo bem, às vezes não nasci para amar, mas para sonhar, com certeza,
e escolher correr riscos também é uma forma de liberdade, a liberdade de
ir e vir.
Não quero ter medo de ser sozinho se um dia isso
acontecer, quero puxar a solidão para dançar.
=*